Curso: Aluna Especial em Pós Graduação da FASM 2009/ Artistas Visionários
SANTANA, Fábio. SOARES, Marcus “Reforma Passos: Cem anos de uma Intervenção Excludente”.
Necessidades e exclusões sociais no Rio de Janeiro
Na última década do século XIX, com o processo de expansão industrial, bairros que pertenciam à elite eram abandonados e se tornavam bairros industriais e da mão operária. Tornando o centro da cidade um domínio da classe operária. Esta que acabavam dominando bairros mais providos de ferrovias, luz e redes de água e esgoto, o que tornou rápida sua expansão. Surge a proposta política de curar uma cidade que estava doente, que se une com o apoio da elite para passar um “rolo compressor” no centro histórico em busca de um progresso e o atendimento das novas exigências.
Na primeira década do século XX, o Rio de Janeiro apresentava sérios problemas de epidemias (febre amarela, malária e varíola) nas habitações coletivas, que eram consideradas vetores das enfermidades que atrapalhavam as atividades econômicas e aos poucos destruía a imagem da capital do Brasil para os outros países.
O Rio de Janeiro era formado por ruas estreitas, mal arejadas, becos escuros e habitações coletivas abarrotadas por famílias que buscavam trabalho na capital do país. As casas estreitas facilitavam a propagação das epidemias entre uma população que não tinha saneamento básico.
As habitações coletivas eram conhecidas como cortiços, onde era possível notar a precariedade e a super lotação da população pobre e marginalizada. Estas eram encontradas na área central do Rio de Janeiro, resultado do fim da escravatura, em 1888, onde a maioria das pessoas migraram ao Rio, tornando a população de 235 mil para 520 mil habitantes, em sua maioria africanos e afro-brasileiros. As adaptações ao trabalho monetário aumentava a crise de empregos e fazia com que a população se dirigisse ao centro da cidade, criando um “exército industrial reserva”. As pessoas sofriam com a falta de emprego e moradia, era necessário arcar com os custos do aluguel e o transporte para que pudessem trabalhar. Restava à população se ocupar dos morros localizados nas proximidades da cidade velha. O morro da Providência tornava-se um exemplo das habitações precárias.
A primeira favela[1] da cidade do Rio de Janeiro foi formada pelos soldados veteranos que retornaram da Guerra de Canudos (Antônio Conselheiro), que esperavam do Governo a realização de suas promessas de moradias na Capital da República, por meses aguardando em pensões e ocupações provisórias. Tornando-se um problema para as autoridades.
O Presidente Rodrigues Alves aproveitou a conjuntura política e econômica favorável que Campos Sales (1898-1902) havia deixado para nomear o engenheiro Francisco Pereira Passos como prefeito da capital. O objetivo era promover o saneamento da cidade, criar novas artérias de circulação e condições para arejar, ventilar e iluminar os bairros.
Passos começa a revolucionar, com a criação de uma cidade moderna. Demolindo os cortiços na área central, ordenando o território. Como conseqüência, o subúrbio começa a ser formado pelas famílias que já não tinham onde morar, criando novas favelas. “Foi necessário, dentro desse contexto, executar a reestruturação interna da cidade de maneira a se eliminar os resquícios que ainda restavam de sua funcionalidade mercantil.” (Benchimol, J. 1990).
Um dos mais importantes acontecimentos para essa reforma urbana foi a modernização do porto, pois a exportação agrícola era o que sustentava a economia do país.
Podemos notar a influência francesa na revolução urbana carioca, seguindo os padrões do Barão Georges Haussmann, criando grandes avenidas para facilitar a circulação urbana e tornasse a Capital mais bela. Por exemplo a Avenida Central, que foi responsável pela demolição de 585 prédios. Sua finalidade era solucionar os problemas de distribuição dos produtos do porto aos comércios. Atualmente ela é chamada de Avenida Rio Branco. As desapropriações e demolições ajudavam a alargar e retificar as ruas, a canalização de rios e o saneamento básico.
Surgem outras propostas, como o recolhimento do lixo urbano e a produção de algumas normas para mudar alguns costumes da população, inadequados para o espaço urbano. Passou a ser proibido a circulação de animais, o comércio ambulante, a venda de bilhetes da loteria, cuspir e urinar nas ruas.
Foi aprovada a lei da vacina obrigatória, em 31 de março de 1904, apoiado pelo médico sanitarista Oswaldo Crua. As classes sociais reprimidas reagiram. A insatisfação social foi contornada pela política autoritária, obrigando os sanitaristas a entrar nas residências e vacinar as pessoas a força. A repulsa pelas normas ficava claro quando “o estado era acusado de violar o domínio do sagrado lar, a liberdade individual e a honra pessoal dos cidadãos de bem” (Carvalho, J. 1987). O que ajudou a acalmar essa enorme insatisfação foi o surgimento de milhares de empregos para a classe baixa. Estes empregos eram focados na construção civil.
A reforma urbana que ajudou a uma modernização, trouxe insatisfações nas classes sociais. A reorganização da cidade, levando a classe social baixa do centro ao subúrbio melhorou o comércio da Capital, mas ao mesmo tempo fez com que surgissem as favelas, que estão presentes até hoje no Rio de Janeiro. Motivos e promessas políticas tornaram o Rio de Janeiro em realidades muito distantes entre as classes sociais, mas estes problemas só seriam agravados muito depois deste acontecimento.
Fotografia:
AVENIDA Central, c.1910. Coleção Gilberto Ferrez. Foto: Marc Ferrez.
[1] Habitação caracterizada pela ilegalidade da ocupação do solo urbano, isto é, pela ausência de equipamentos coletivos e, principalmente, ausência da escritura do imóvel. Essa forma de habitação passou a fazer parte da geografia da cidade como moradia alternativa para os que não tinham condições de pagar aluguel ou se negavam a residir distante dos lugares onde trabalhavam. (Zaluar, A e Alvito, M. 1990).
Necessidades e exclusões sociais no Rio de Janeiro
Na última década do século XIX, com o processo de expansão industrial, bairros que pertenciam à elite eram abandonados e se tornavam bairros industriais e da mão operária. Tornando o centro da cidade um domínio da classe operária. Esta que acabavam dominando bairros mais providos de ferrovias, luz e redes de água e esgoto, o que tornou rápida sua expansão. Surge a proposta política de curar uma cidade que estava doente, que se une com o apoio da elite para passar um “rolo compressor” no centro histórico em busca de um progresso e o atendimento das novas exigências.
Na primeira década do século XX, o Rio de Janeiro apresentava sérios problemas de epidemias (febre amarela, malária e varíola) nas habitações coletivas, que eram consideradas vetores das enfermidades que atrapalhavam as atividades econômicas e aos poucos destruía a imagem da capital do Brasil para os outros países.
O Rio de Janeiro era formado por ruas estreitas, mal arejadas, becos escuros e habitações coletivas abarrotadas por famílias que buscavam trabalho na capital do país. As casas estreitas facilitavam a propagação das epidemias entre uma população que não tinha saneamento básico.
As habitações coletivas eram conhecidas como cortiços, onde era possível notar a precariedade e a super lotação da população pobre e marginalizada. Estas eram encontradas na área central do Rio de Janeiro, resultado do fim da escravatura, em 1888, onde a maioria das pessoas migraram ao Rio, tornando a população de 235 mil para 520 mil habitantes, em sua maioria africanos e afro-brasileiros. As adaptações ao trabalho monetário aumentava a crise de empregos e fazia com que a população se dirigisse ao centro da cidade, criando um “exército industrial reserva”. As pessoas sofriam com a falta de emprego e moradia, era necessário arcar com os custos do aluguel e o transporte para que pudessem trabalhar. Restava à população se ocupar dos morros localizados nas proximidades da cidade velha. O morro da Providência tornava-se um exemplo das habitações precárias.
A primeira favela[1] da cidade do Rio de Janeiro foi formada pelos soldados veteranos que retornaram da Guerra de Canudos (Antônio Conselheiro), que esperavam do Governo a realização de suas promessas de moradias na Capital da República, por meses aguardando em pensões e ocupações provisórias. Tornando-se um problema para as autoridades.
O Presidente Rodrigues Alves aproveitou a conjuntura política e econômica favorável que Campos Sales (1898-1902) havia deixado para nomear o engenheiro Francisco Pereira Passos como prefeito da capital. O objetivo era promover o saneamento da cidade, criar novas artérias de circulação e condições para arejar, ventilar e iluminar os bairros.
Passos começa a revolucionar, com a criação de uma cidade moderna. Demolindo os cortiços na área central, ordenando o território. Como conseqüência, o subúrbio começa a ser formado pelas famílias que já não tinham onde morar, criando novas favelas. “Foi necessário, dentro desse contexto, executar a reestruturação interna da cidade de maneira a se eliminar os resquícios que ainda restavam de sua funcionalidade mercantil.” (Benchimol, J. 1990).
Um dos mais importantes acontecimentos para essa reforma urbana foi a modernização do porto, pois a exportação agrícola era o que sustentava a economia do país.

Surgem outras propostas, como o recolhimento do lixo urbano e a produção de algumas normas para mudar alguns costumes da população, inadequados para o espaço urbano. Passou a ser proibido a circulação de animais, o comércio ambulante, a venda de bilhetes da loteria, cuspir e urinar nas ruas.
Foi aprovada a lei da vacina obrigatória, em 31 de março de 1904, apoiado pelo médico sanitarista Oswaldo Crua. As classes sociais reprimidas reagiram. A insatisfação social foi contornada pela política autoritária, obrigando os sanitaristas a entrar nas residências e vacinar as pessoas a força. A repulsa pelas normas ficava claro quando “o estado era acusado de violar o domínio do sagrado lar, a liberdade individual e a honra pessoal dos cidadãos de bem” (Carvalho, J. 1987). O que ajudou a acalmar essa enorme insatisfação foi o surgimento de milhares de empregos para a classe baixa. Estes empregos eram focados na construção civil.
A reforma urbana que ajudou a uma modernização, trouxe insatisfações nas classes sociais. A reorganização da cidade, levando a classe social baixa do centro ao subúrbio melhorou o comércio da Capital, mas ao mesmo tempo fez com que surgissem as favelas, que estão presentes até hoje no Rio de Janeiro. Motivos e promessas políticas tornaram o Rio de Janeiro em realidades muito distantes entre as classes sociais, mas estes problemas só seriam agravados muito depois deste acontecimento.
Fotografia:
AVENIDA Central, c.1910. Coleção Gilberto Ferrez. Foto: Marc Ferrez.
[1] Habitação caracterizada pela ilegalidade da ocupação do solo urbano, isto é, pela ausência de equipamentos coletivos e, principalmente, ausência da escritura do imóvel. Essa forma de habitação passou a fazer parte da geografia da cidade como moradia alternativa para os que não tinham condições de pagar aluguel ou se negavam a residir distante dos lugares onde trabalhavam. (Zaluar, A e Alvito, M. 1990).
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