segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Resultado das Grandes Cidades

Curso: Aluna Especial em Pós Graduação da FASM 2009/ Artistas Visionários
SIMMEL, Georg. “Die Großstädte und das Geistesleben” [A metrópole e a vida mental oo As grandes cidades e a vida do espírito], de 1903.

Resultado das grandes cidades
Simmel, sociólogo alemão, escritor do livro Filosofia do Dinheiro em 1900. Em uma conferência apresentou uma versão ampliada do último capítulo deste livro, com o texto Die Großstädte und das Geistesleben [A metrópole e a vida mental], de 1903. Apresentação de maior importância entre os intelectuais alemães desde 1880.
O sociólogo comenta a busca da liberdade entre os séculos através da criação de grandes cidades, onde as pessoas buscam ser autônomas e apresentar uma peculiaridade para o restante da sociedade. As pessoas bucam uma herança histórica. Apresenta como resultado das grandes cidades o nervosismo e o individualismo, onde pessoas passam por diversas e ininterruptas mudanças de “impressões interiores e exteriores”, diferente das pessoas da cidade pequena e da vida no campo.
Toda pessoa é formada por sua personalidade individual e seu ânimo, o que torna os fenômenos o motivo principal para a mudança entre uma pessoa da grande e da pequena cidade. Inicialmente, o dinheiro não era um dos fenômenos que traria estas mudanças, pois ele era apenas um valor de troca. As relações de ânimo tratam as pessoas através de suas individualidades, já as relações de entendimento às tratam como números, o que os tornam indiferentes. Isso acarretou na busca intensiva da percepção da individualidade (do que é diferente para a sociedade).
Surgem habitos e ritmos diferentes da vida no campo. Na cidade grande tudo circula em relação ao mercado, onde os fregueses são desconhecidos e não se encontram com os produtores, o que afasta suas relações pessoais. Segundo Simmel “ o espírito moderno tornou-se mais e mais um espírito contábil”. Tudo ocorre a favor do tempo, para que o todo não se torne o caos. O caminho para alcançar objetivo começa a ser mais curto, para que nao aja um tempo perdido. Porém, nota-se que todas as pessoas, indiferente de suas escolhas pessoais, apresentam suas últimas decisões sobre o sentido e o estilo de vida iguais.
Acredita-se que venha daí o “ódio apaixonado” pelos fenômenos que a grande cidade causava a Nietzsche, que observava a luta do indivíduo para obter uma singularidade. Ao mesmo tempo que o homem caminha em busca de sua presença como singular ele sente a nostalgia.
O homem, que enfrentando o tempo em busca de uma melhoria de vida, ao mesmo tempo que enfrentava o nervosismo dos fenômenos se deparava com a condição de adaptação aos fatos ocorridos, uma espécie de aceitação que fazia com que o homem não reagisse à eles. Surge um homem que começa a ver os fenômenos com indiferença, aversão, estranheza e repulsa que a qualquer momento poderia desencadear um ódio e luta. Mas, se o homem da cidade grande se muda para uma cidade pequena, suas condições de adaptação traz uma espécie de aperto, uma sensação de limitação das relações. Ao mesmo tempo em que na cidade grande o homem se sente solitário e abandonado diante de uma multidão. Essas são as verdades espirituais, entre a cidade pequena que tem relações fechadas em si mesma e a cidade grande, que se aprofunda em relações nacionais e internacionais.
A busca de uma fonte sem fins de ganho se torna um estimulo para a diferenciação, o refinamento e a ampliação das necessidades das pessoas da cidade grande. Uma individualização espiritual. O homem busca uma consciência social, bucando formas de se destacar diante das pessoas através de exclusivismos, extravagâncias, preciosismos. Não importando se exista razão e sucesso. Apresenta-se um retrocesso da cultura social, onde as pessoas tinham maior espiritualidade, delicadeza e idealismo. A busca de uma realização que “deixa atrofiar a personalidade como um todo”, deixando apenas a para a existência um sentido de objetividade.
No século XVIII, a sociedade buscava o liberalismo, diante dos acontecimentos sem sentido político e agrário, corporativo e religioso, criando condições desiguais e injustas. Criando a busca de liberdade e igualdade. Porém, no século XIX, surge o romantismo e a divisão econômica do trabalho, criando o individualismo na qual as pessoas estão libertas de ligações históricas e mais para frente o individualismo em que as pessoas buscam o “homem universal”, seu valor histórico.
Simmel atenta que “nossa tarefa não é acusar ou perdoar, mas somente compreender” o porque dos fenômenos e buscas individuais, como resultado das grandes cidades.

Fotografia:
GEORG SIMMEL
Data de acesso: 14 de Setembro de 2009

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